As consequências de um casamento precipitado.


A dura realidade que nasceu de uma utopia.

Capítulo 9 - Agora sim, cada um dos aspectos particulares de Nilson encontravam-se, no quartel ascendia perante subordinados e superiores, na vida sentimental parecia frechado pelo cupido, todavia sempre carregando seu fardo pesado.

O amor aflorará no coração deste jovem, ela uma garota que conhecerá na praia numa brincadeira, tinha apenas 17anos,  sua pele cândida , cabelos levemente castanhos, lábios pequeninos em forma de morango, nariz arrebitado e bem baixinha o que demonstrava é claro só podia ser dengosa, apesar de inocente, digo em relação ao compromisso conjugal, além do que era muito cedo para tomar uma atitude tão grotesca, pensava Nilson que óbvio deveria conhece-la melhor.

Mas o tempo correrá, de fevereiro de 1996 damos um salto rápido para dezembro, agora depois de vários cineminhas, passeios, e todo entretenimento oferecido ao casalzinho, começou a surgir pressão por parte de Jussara que dizia:

- Nilson, estamos um bom tempo junto, quero liberdade para  que possamos curtir nosso amor, olhe já te dei várias provas do meu sentimento, estou passando um pedaço lá em casa. Poxa! Minha mãe recebe pressão daquele camarada que cisma em afirmar ser meu pai, agora você tem que decidir. Pelo amor que tem a Deus tire-me daquela casa pois não aguento mais.

- Por favor. Calma nós não planejamos que ficaríamos noivos em janeiro?
- Sim.
- Depois temos que montar o enxoval?
- Isso é desculpa, não faço questão de noivado nenhum, ao invés de fazer festa para encher a pança dos outros vamos pensar em nós, balbuciava enfurecida.
- Tudo bem, vou tomar as providências tá.
- Tá legal, lembre-se não agüento mais aquela casa.
- Nilson saiu daquele encontro ébrio.

Realmente durante um tempo havia juntado um dinheirinho, não era muito, mas desde quando chegará ao posto de Cabo, passava noites sonhando em possuir seu carro, agora teria que jogá-lo ao vento.

Por necessidade ou  precipitação!?

Não interessa, bens materiais conquistam-se, mas um grande amor é para sempre... A dúvida castigá-lo-ia, até que decidiu, dana-se o que tem que ser feito será.

E num final de semana que estava de folga foram convidados para um batizado em Belford Roxo, na casa de uma tia da Jussara que não via a tempo.

-   Tia Lúcia, meu namorado Nilson ?
-   Muito prazer.
-   O prazer é todo meu.
-   Reinaldo, corre aqui, olha quem chegou?
-   Oi! Jussara, ficou rica né ou será que casou e nem mandou convite?
-   Desculpe-me, muito prazer, sou marido da Lúcia.
-   Tudo bom?
-   Direitinho, graças a Deus.
-   Vamos preparar as crianças para o batizado a propósito gostei de você rapaz quer ser padrinho de consagração da Milena?
-   Claro, é uma honra.
-   Lúcia, vamos arrume as crianças.
Falava com Jussara:
-   Até que arrumou um gato heim?
-   Fala sério, ele é bonitão.
-   Vamos ajude-me arrumá-las?
-   Milena, Frederico, Mateus já para o banho?
-   Tia Jussara, heiiiiii....láláláláááá...
-   Corram vamos já para o chuveiro. O ultimo a chegar é mulher do sapo...
-   Lúcia já se arrumou mulher?
-   Estou quase pronta.
-   Vamos, Nilson estamos atrasados.
-   Ok, Reinaldo.

Sua atitude pueril fazia-as saltitar como carneirinhos, e alegrava o ambiente, e ao retornarem do batizado, Nilson conversava com Reinaldo que aconselhava-o acerca de Jussara e sua família.

- Amigo, essa menina é muito sofrida conheço-a desde pequena, sua vida não era fácil, foi criada na casa da avó e isso era uma frustração, apesar de todo carinho dedicado, compreende?
- Acho que sim.
Dizia enquanto tomava decisão sobre o que iria fazer, e quais eram as possibilidades de resolverem este problema.
-   Vamos beber uma geladinha?
-   Tá certo, bem gelada...

Embora sua deliberação estivesse consumada, faltava agora, era arrumar estada e isso seria fácil, tendo é claro pecúnia.
  
Mas, decorrido aquele batizado, retornaram ao lar, doce lar da Jussara.

Opá! Primeiro é preciso lembrar por ser muito tarde ambos dormiram na casa do Reinaldo, o que foi  a cumeeira do aiciberg  de uma escaramuça entre Nilson e o Sr Constantino pai de Jussara...

A chegada.

-   Bom dia!
-   Só quem respondeu, sua mãe Sra Kássia.
-   Mãe, ameaçou um pé d'água, e resolvemos pernoitar, sabe para não corrermos risco.
Explicava enquanto Nilson falava com seu pai.
- Sr Constantino, ocorreu um contratempo e tivemos que pernoitar ali, sabe por ser muito temerário a volta, pista molhada, assalto, essa violência noturna do Rio de Janeiro que cresce ininterruptamente.
- Preste atenção numa coisa meu jovem, enquanto estiver sob meu teto, não admito que filha minha durma fora de casa.
- Tudo bem! Tchau Jussara! Tchau Sra Kássia! E passar bem Sr Constantino, só me faz um favor não encoste um dedo na sua filha tá.
  Pronto acionado o estopim. BUMMM! Explodiu a bomba e Nilson reviu seus conceitos e decidiu imediatamente desposar com aquela senhorita.
  Sua primeira atitude foi retornar à Belford Roxo e perguntar ao seu compadre Reinaldo, se conhecia alguma imobiliária ali por perto onde houvesse um casebre modesto, sim estava realmente disposto a mudar-se o mais rápido possível.

-   Olá, compadre.
-   Quem é vivo sempre aparece.
-   Acabei de discutir com pai dela.
-   Não falei que era um pangaré este cara.
-   Tudo bem, vim aqui saber se você conhece alguma imobiliária que possa me indicar.
-   Olhe, no centro de Areia Branca tem uma casinha, parece confotável.
-   Vamos lá ver?
-   Vamos.
-
  Chegaram à imobiliária São Thomas de Aquino por volta das 13h, e pegou a chave.
  Nilson resolveu chamar Jussara para que ambos pudessem analisar o local, claro refiro-me à vizinhança, pois como era militar não podia expor sua futura esposa há nenhuma situação constrangedora, apesar que ficava apenas um quarteirão da casa de sua Tia Lúcia.

 Não demorou entraram na casa, ficava no começo da Rua Justino de Souza, uma ruazinha esquecida pela prefeitura pois era a única que precisava de calçamento, numa vila com mais seis casas, mais ali moravam aparentemente umas três famílias, sua frente chapiscada, um chapisco bem grosso, ao menos tinha uma caixa d’água para cada, observaram também que possuía relógio individual para marcação do consumo elétrico, por dentro, cosinha azulejada, três janelas propiciavam uma boa ventilação, o demais quarto, sala e banheiro continham piso frio, as paredes internas ao contrário da parte externa era um embolso liso emassado e pintado a pouco tempo com tinta branca o que mostrava uma alvura e mantinha um asseio importante, ela gostou e para não contrariá-la retornou à imobiliária e acertou o contrato de locação empregando um capital de R$ 600,00 como depósito referente a três meses, o que prescrevia um aluguel mensal de R$200,00.

 Porém, nem tudo era festa, não tinham mobília e inicialmente tinham que alimentar-se na casa de Lúcia, aos poucos Nilson desenrolava o problema, nos primeiros dias, estranhavam muito pois só tinham uma cama de casal que ganharam, um rádio e uma televisãozinha preto e branco adquirida com  a sobra das economias do recém cônjuge.

É, mais rápidos do que pensavam conseguiam comprar as coisas essenciais para que pudessem viver se não com conforto, mas sim dignamente sem depender exclusivamente de sua tia Lúcia.

Sua rotina no quartel fora alterada, mediante algumas alterações no contigente daquela Unidade, essencialmente com a inclusão do policiamento ostensivo do PDC( Palácio Duque de Caxias, Sede do Ministério do Exército), além de assumirem o Museu do Exército e também a Policlínica Militar, isso é claro aumentou sua carga de serviços e serviu para desesperar sua esposa que passava várias noites sozinha.

Mas como tudo tem um tempo determinado, eles ainda  estavam  começando a viver, nas horas de folga Nilson além de zelar pela manutenção  do lar, arranjava tempo para passear e namorar sua esposa que muito nova precisava de uma atenção especial.

Final de mês, segundo dia após o pagamento, Nilson resolveu comprar seu primeiro fogão, pois não falamos ainda que até então cozinhavam num fogareiro de álcool, imaginem o que era fazer feijão, arroz, carnes e etc..

Viram a progressão de suas vidas cotidiana desenvolverem-se aos poucos apesar de difícil, subiam gradativamente cada um dos vários degraus pertencentes a longa escada da vida.

 Todavia de uma hora para outra, as coisas desencaminharam-se no trabalho, pois o Major que gostava de Nilson fora transferido para Amazônia o que resultara numa perseguição implacável para puni-lo, entretanto isto é outra história...

Autor: Washington Luiz.

Para ler o livro na íntegra (clique aqui)

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