O km 8 me ensinou mais sobre inteligência emocional do que qualquer livro
Cheguei cedo para largada, como sempre. Aos 50 e poucos, aprendi que chegar cedo é meio-caminho andado pra não entrar em pânico depois. Fiquei ali, no meio da multidão, vendo gente de todo tipo: um jovem de 22 anos pulando pra aquecer, uma mulher com a cara de quem já correu maratona internacional, e eu, com minha camiseta surrada e meu relógio que só serve pra me lembrar que eu não preciso mais dele. E foi bem naquele momento, antes mesmo do tiro de largada, que a primeira onda bateu: aquela vozinha chata comparando. "Esse aí vai te passar fácil." "Você tá muito devagar pro seu nível." Reconheci ela na hora — não é a primeira vez que ela aparece. E reconhecer é metade do trabalho. Não dá pra regular o que você nem percebe que tá sentindo. A largada e o ego que insiste em correr na frente Deu o tiro, todo mundo sai numa avalanche de gente querendo peitar o pace que não é o dela. Eu também caí nessa, confesso. Lá pelo km 2 percebi que tava correndo o ritmo dos ...