Tudo vale a pena quando a corrida amplia a alma
Tem uma frase do Fernando Pessoa que muita gente repete como se fosse slogan de camiseta, mas pouca gente encara de verdade: “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.” Quando a gente traz isso pra corrida — especialmente depois dos 50 — o sentido muda completamente. Porque vamos ser honestos: não é mais sobre provar nada pra ninguém. Não é sobre pódio. Nem sobre bater recorde de juventude. É sobre continuar inteiro. O preço da corrida (que ninguém romantiza) Correr cobra. Sempre cobrou. Cobra acordar cedo, cobra disciplina, cobra enfrentar o corpo duro, o ritmo que oscila, o dia em que a cabeça não ajuda. E aí vem a pergunta que o Pessoa jogou na mesa, sem anestesia: vale a pena? Vale — desde que a alma cresça junto. Se a corrida vira só cobrança, comparação e frustração, algo deu errado. Mas quando ela vira travessia, muda tudo . O Bojador depois dos 50 No poema, Pessoa fala do Bojador — um limite temido, um ponto que assustava os navegadores. Na nossa fase da vida, o Bojador tem o...