O papa e a profecia de Apocalipse 17.

Washington Luiz
Jornalista e Teólogo.

Muitos buscam entender o significado das profecias do Apocalipse. Aqui nesse artigo vamos tratar especialmente do capítulo 17. Seguiremos o método historicista da interpretação e não somente o conteúdo literal escrito na Bíblia. Ressaltando que as profecias geralmente anunciam fatos que já aconteceram, ou que ainda vão acontecer. 
(Reprodução| Internet)
"Veio, então, um dos sete Anjos que tinham as sete taças e falou comigo: Vem, e eu te mostrarei a condenação da grande meretriz, que se assenta à beira das muitas águas, com a qual se contaminaram os reis da terra. Ela inebriou os habitantes da terra com o vinho da sua luxúria."  (Apocalipse 17:1-2) - Estamos observando de início que esses versículos estão falando sobre o julgamento da "Grande Meretriz". Vamos ler o versículo 6 -  "Vi que a mulher estava ébria do sangue dos santos e do sangue dos mártires de Jesus; e esta visão encheu-me de espanto..." - note que ele faz um paralelo com Daniel 7, versículo 25, deixando perceptível que haveria na história do "povo de Deus" um poder que perseguiria os cristãos. 

Simbolicamente vemos então que essa mulher embriagada com o sangue dos santos tem uma relação direta com o tal "poder" citado em Daniel. Para ser mais direto, alguns estudiosos, pesquisadores e teólogos, entendem que esse poder é o "papado medieval" - faz-se necessário ressaltar que os católicos contemporâneos que amam e seguem Jesus não tem nada haver com isso - a profecia bíblica refere-se ao papado na história. 

Com base nesse entendimento histórico, podemos dizer que não há fundamento teológico para afirmar que  a renúncia de Joseph Aloisius Ratzinger, hoje papa emérito Bento XVI, tem relação com os reis citado na profecia do apocalipse - baseados em métodos historicistas da interpretação - os sete reis não são sete papas. Observem o texto: "Aqui se requer uma inteligência penetrante. As sete cabeças são sete montanhas sobre as quais se assenta a mulher. São também sete reis: cinco já caíram, um subsiste, o outro ainda não veio; e quando vier, deve permanecer pouco tempo..." (Apocalipse 17:9-10) - se "cinco reis caíram" e um existe, logo o próprio texto traz indícios que se refere a época em que foi escrito e sugerem duas possíveis interpretações coerentes que nada tem haver com o catolicismo romano

Na primeira, o livro estaria falando do Império Romano, pois ele é um dos poderes que oprimiam o "povo de Deus"  naquela época. E os cinco "reis" ou impérios que caíram: Egito, Assíria, Babilônia,  Medo-Persa e Grécia. E o que não havia surgido, seria a Roma Papal. Essa é uma das interpretações.  E a outra sugerida por alguns estudiosos é que o livro profético esteja falando de sete formas de governo em Roma ao longo de sua história, são elas: Realeza, Consulado, Decenvirato, Ditadura, Triunvirato, Império e Papado.  

Como bem disse o Prof. Leandro Soares de Quadros, mestre em Teologia e pós-graduado em jornalismo científico, tem muito detalhes da profecias que não podemos saber agora, só com decorrer do tempo. "E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder." (Atos 1:7).

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