Santo Agostinho Errou Sobre o Tempo — E a Corrida Prova Isso
Outro dia eu estava ouvindo um psicólogo explicando como Santo Agostinho pensava sobre o tempo. E é impossível negar: o homem era afiado. Quando ele diz que o passado vive na memória, o futuro na expectativa e o presente na atenção, dá vontade de levantar e aplaudir. Aquilo é ouro filosófico. É psicologia antes da psicologia existir. Mas aí vem o problema. Agostinho pensa o tempo com um pé na genialidade… e o outro cravado no altar. E isso enfraquece o discurso. Não porque religião seja “burra”, mas porque a explicação religiosa encerra o debate cedo demais. Quando ele diz que o tempo existe porque Deus o criou, e que a eternidade pertence só a Deus, a pergunta deixa de ser investigada. Ela é selada. Carimbada. Resolvida à força. E o tempo não aceita esse tipo de resposta. O tempo não é um conceito que se resolve no papel. Ele se resolve — ou melhor, se complica — na experiência. Quem corre depois dos 50 sabe disso melhor do que qualquer teólogo. O relógio diz que passaram 40 minu...