11 km na chuva: quando correr deixa de ser sobre pace e vira sobre caráter

Hoje eu corri 11 km na chuva.

E não, esse texto não é sobre performance.

Eu poderia ter ficado em casa.

A cama estava seca.

O sofá parecia um argumento irrefutável.

A desculpa era legítima: “chuva, melhor não arriscar”.

Mas fui.

E é curioso como, depois dos 50, a gente começa a entender uma coisa que a juventude ignora: nem toda decisão precisa ser confortável para ser correta.

Não foi sobre relógio. Foi sobre escolha.

O pace hoje não importa.

Não foi treino para recorde.

Foi treino para lembrar quem manda quando o corpo sugere recuar.

A chuva não perguntou se eu estava motivado.

Ela simplesmente caiu.

Assim como a vida faz.

E aí está a filosofia silenciosa da corrida:

ou você corre apesar das condições, ou passa a vida inteira esperando o cenário perfeito — que nunca chega.

Depois dos 50, correr é um ato de resistência

Não contra o tempo.

Mas contra a ideia absurda de que já passou a hora.

Correr na chuva é quase um ritual.

Você aceita o desconforto logo no início, e isso liberta.

Porque quando o pior já aconteceu, o resto fica simples.

A roupa pesa.

O tênis encharca.

A mente reclama.


Mas algo curioso acontece no meio do percurso:

o barulho da chuva vira silêncio interno.


E ali, quilômetro após quilômetro, você entende que superação não grita — ela caminha firme.

Corrida não é fuga. É confronto.

Muita gente acha que a gente corre para escapar dos problemas.

Eu discordo.

A gente corre para encontrar respostas que só aparecem quando o corpo está cansado e a mente sem máscaras.

Na chuva, então, não tem teatro.

Ou você segue…

ou desiste.

Hoje, segui.

E quando cheguei em casa, molhado, cansado e em paz, ficou claro:

esse treino não fortaleceu as pernas. Fortaleceu a decisão de não negociar com a própria consciência.

Para quem corre aos 50+

Se você está lendo isso e pensa:

“Eu não sou rápido”

“Eu não sou atleta”

“Eu não tenho mais idade”

Deixa eu te dizer algo com toda franqueza: a corrida não exige juventude — exige presença.

Hoje não foi sobre medalha.

Foi sobre respeito próprio.

E isso, meu amigo, minha amiga, não envelhece.

👉 Se você também acredita que correr depois dos 50 é um ato de lucidez, não de loucura, continue aqui no Corrida aos 50+.

Aqui a gente não corre para provar nada aos outros.

Corre para não se trair.

💬 E agora me conta: você já teve um treino que foi mais sobre a cabeça do que sobre as pernas?