O valor de seguir sem garantia nenhuma
Existe um tipo de esforço que quase ninguém aplaude.
Aquele que não vem com promessa de chegada, nem sinal de recompensa no final do caminho.
Seguir sem garantia nenhuma é desconfortável.
A mente pede contrato, prazo, retorno. O corpo quer saber se vale a pena sair de casa, calçar o tênis, insistir mais um pouco. A vida raramente responde.
Na corrida, isso aparece cedo. Você treina, repete, mantém constância… e o resultado não vem na velocidade esperada. Nenhuma medalha, nenhum destaque, nenhum reconhecimento. Só você e o percurso.
É aí que muita gente para.
Não porque não aguenta correr.
Mas porque não aguenta continuar sem garantia.
Com o tempo, a corrida vai ensinando uma lição que serve para fora dela: nem tudo que vale a pena vem com promessa. Alguns caminhos só se revelam depois que você decidiu não desistir.
Seguir sem garantia nenhuma não é teimosia.
É maturidade.
É entender que o valor não está apenas no resultado, mas no tipo de pessoa que você se torna enquanto segue. A constância, quando não há aplauso, constrói algo mais sólido do que motivação: constrói identidade.
Na vida adulta — especialmente depois dos 40, 50 anos — quase tudo importante funciona assim. Projetos, decisões, recomeços. A gente segue porque faz sentido, não porque alguém garantiu final feliz.
Correr sem medalha é só o cenário.
O aprendizado é muito maior.
Essa reflexão faz parte de um conjunto de ensaios onde a corrida é usada como metáfora para constância, espera e dignidade — temas que quase nunca aparecem nos discursos de performance.
Se essa ideia já te incomodou de um jeito bom, talvez o livro faça companhia nesse percurso.
👉 Por que continuo correndo mesmo sem medalha?
Ensaios sobre constância, espera e dignidade na corrida e na vida.
Disponível na Amazon: