Começar a Correr Depois dos 50 Vale a Pena?
Tem uma pergunta que parece simples, mas é quase um teste de coragem:
Se você plantar um pé de manga aos 51 anos… ainda dá tempo de colher?
A resposta é objetiva: sim.
Se for muda enxertada, em 2 a 4 anos os primeiros frutos aparecem.
Agora deixa eu traduzir isso para a nossa língua — a língua de quem vive a corrida de rua depois dos 50.
Se você começa a correr aos 50, aos 51, aos 52…
em dois ou três anos você não é mais iniciante.
Você é outro corredor.
Outro corpo.
Outra mente.
O problema não é o tempo.
O problema é o medo de começar “tarde”.
Existe um mito silencioso que ronda quem passa dos 50:
“Agora é manutenção.”
“Agora é só conservar o que sobrou.”
“Agora é tarde para grandes evoluções.”
Eu discordo frontalmente.
O que acontece depois dos 50 não é declínio inevitável.
É adaptação inteligente.
Assim como a mangueira enxertada é preparada para frutificar mais cedo, o corredor 50+ corre com estratégia, consciência corporal e maturidade emocional. Ele não corre para provar nada. Corre para permanecer. Corre para viver.
E aqui está o ponto central:
Dois anos passam de qualquer forma.
Quatro anos também.
Você pode chegar aos 55 pensando:
“Eu poderia ter começado.”
Ou pode chegar dizendo:
“Foi ali que eu plantei.”
A corrida é exatamente isso: um plantio invisível.
Nos primeiros meses, quase ninguém percebe.
O pace ainda oscila.
O fôlego reclama.
O corpo negocia.
Mas por dentro, raízes estão sendo criadas:
Capilarização muscular.
Adaptação cardiovascular.
Fortalecimento mental.
Disciplina.
É crescimento subterrâneo.
Depois, quase sem perceber, você colhe:
✔️ Exames melhores.
✔️ Sono mais profundo.
✔️ Autoestima mais firme.
✔️ Uma prova concluída que antes parecia impossível.
E sabe o que é mais bonito?
Depois dos 50, a corrida deixa de ser sobre performance.
Ela vira um manifesto.
Um manifesto contra a ideia de que a vida já entregou tudo o que tinha para entregar.
Plantar uma mangueira aos 51 é um ato de fé no futuro.
Começar a correr aos 51 também.
Você está dizendo:
“Eu acredito que ainda há frutos pela frente.”
E há.
Mas aqui vai a parte que ninguém gosta de ouvir:
a árvore não cresce se não for plantada.
O corredor não evolui se não começar.
O tempo não é inimigo.
Ele é solo.
A pergunta não é se dá tempo de colher.
A pergunta é:
O que você vai plantar hoje para colher aos 55?
Se você faz parte da geração que decidiu correr depois dos 50, entenda uma coisa: você não está atrasado. Você está no tempo certo para plantar com consciência.
E consciência produz frutos mais doces.
Nos vemos na próxima largada. 🌳🏃♂️