Golpe do falso sequestro chegou à Presidência da República

BRASIL
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A ousadia dos bandidos que aplicam o golpe do falso sequestro seguido de tentativa de extorsão chegou à Presidência da República. Criminosos ligaram para a residência do vice-presidente José de Alencar na Zona Sul do Rio de Janeiro, no último domingo, e anunciaram que a filha do "número 1" na linha sucessória do presidente Lula havia sido sequestrada. Nervoso, ele chegou a reconhecer a voz de uma impostora que se passou por sua filha na ligação e ainda negociou com os bandidos. Os criminosos pediram R$ 50 mil para libertar a suposta filha e Alencar chegou a argumentar que só conseguiria levantar R$ 20 mil, pois estava fora de seu estado. O vice-presidente ainda ligou para um amigo empresário para pedir o dinheiro, mas não entregou aos bandidos.

Ontem, uma mulher foi presa suspeita de ter participado do trote. O delegado Marcos Reimão, da Divisão Antisequestro carioca, teria dito - segundo o portal de notícias G1 - que a suspeita confessou que receberia odinheiro do falso resgate. A polícia também apreendeu celulares e chips que estavam com o irmão dela, preso no Instituto Penal Plácido Sá Carvalho em Bangu.

Ontem, antes de receber homenagem na Câmara dos Deputados, José Alencar relatou os momentos de angústia vividos antes que a família conseguisse entrar em contato com sua filha e averiguasse que tudo se tratava de um trote. "O telefone tocou e eu estava em casa sozinho. Era um cidadão dizendo que tinha sequestrado minha filha. Ele a colocou no telefone e eu tinha a segurança que era ela. Ele pediu R$ 50 mil e eu disse que não tinha. Ele perguntou se tinha joias. Eu disse que não. Então ele perguntou: qual a atividade do senhor? Respondi: 'sou vice-presidente da República'", conta Alencar. Após confirmar o nome do vice de Lula e perceber a enrascada, o bandido encerrou a ligação. Apesar do susto, Alencar manteve a firmeza: "Papai ensinava que desespero não ajuda, então mantive a calma".

Câncer - A fibra de Alencar, revelada tanto na frieza ao negociar com bandidos como na luta contra o câncer, foi homenageada ontem em sessão no plenário da Câmara. Deputados da base governista e da oposição se revezavam para saudar o vice-presidente. Alencar levou parlamentares e servidores às lágrimas quando relatou histórias de superação em sua juventude. Pediu licença para discursar na tribuna e revelou que chegou a discutir a hipótese de lançar-se candidato à Câmara nestas eleições, mas acabou desistindo para seguir como companheiro de Lula até o fim do governo.


Alencar chorou muito ao lembrar de seu primeiro emprego e dos meses que passou morando no corredor de um hotel, longe da família. "Isso não me diminuiu em nada, pelo contrário, eu me tornei viável", discursou. Ele contou ainda como sobrevivia com o salário de 300 mil réis pagando aluguel de 220 mil réis e se orgulhou ao contar que, mesmo com o orçamento apertado, sempre mandava um presente para a mãe. "Todos os meses mandava um presente, mesmo simples, como um conjunto de sabonetes".

Edição: Washington Luiz / Fonte:DiárioPernanbuco

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