Poker goiano ganha destaque mundial: conheça mais sobre o novo esporte da moda.

Foto por Pokernews/Divulgação “Comemoração da importante vitória de Roberly”

De algumas centenas de entusiastas no início do milênio, o poker teve um enorme crescimento nos últimos anos. O esporte mental apresenta ótimos shows de habilidade e hoje em dia atrai naturalmente multidões que avidamente assistem atletas profissionais competindo.

O poker é o esporte de cartas mais popular do mundo e o crescimento dos últimos anos pode está diretamente ligado à popularização ao Texas Hold'em. Modalidade originalmente criada nos EUA, esse estilo tornou-se muito popular através de disputas e torneios online e offline, sendo rapidamente exportado para os outros países.

De acordo com os dados oficiais fornecidos pela Confederação Brasileira de Texas Hold’em (CBTH), principal entidade representativa do poker no país, na última década o número de entusiastas do esporte por aqui praticamente dobrou. 

A CBTH afirma que no começo de 2012 haviam aproximadamente 4 milhões de praticantes no Brasil e que o número atualmente já ultrapassou os 8 milhões. Isso sugere um crescimento de quase um milhão de novos praticantes por ano.

Desse total, estima-se que por volta de 5% sejam competidores profissionais, com um número ainda maior de semi-profissionais. De acordo com as tendências atuais, esses são valores que que só tendem a aumentar nos próximos anos.

Em Goiás não é diferente e o poker da região têm experimentado crescimentos proporcionalmente similares. Para se ter uma ideia, em 2016 foram aproximadamente 250 entradas na sétima etapa do Campeonato Goiano. Já em 2017, o número mais que dobrou e alcançou 650 competidores já na quarta etapa.

Inclusive, em junho de 2018 um goiano conseguiu a impressionante façanha de se consagrar como o grande campeão da World Series of Poker (WSOP), competição mais importante desse esporte no planeta.

Trata-se de Roberly Felício. Apenas o quarto brasileiro a conseguir tal feito, o competidor oriundo de Anápolis (GO) superou mais de 13 mil competidores no Colossus, incluindo os profissionais experientes TK Miles, Scott "Aggro Santos" Margereson e John Racener na acirrada mesa final, para ficar com vitória e a impressionante quantia de US$ 1 milhão.

Com isso ele acabou com um jejum brasileiro de três anos na competição e se juntou ao seleto grupo da elite do poker nacional que venceu um bracelete do WSOP. Atualmente composto pelos atletas profissionais Alexandre Gomes (2008), André Akkari (2011) e Thiago Decano (2015).

Talvez a parte mais impressionante em relação a conquista de Felício seja o fato de que ele próprio se considerava apenas um atleta amador e entusiasta do poker até a entrada no renomado torneio. 

Próximo aos 50 anos e com apenas quatro de experiência no esporte das cartas, a maior conquista de Felício no esporte havia ocorrido em 2016 e se tratava de um respeitável, mas não impossível, quinto lugar no evento principal do LAPT Viña del Mar.
Foto por PokerNews/Divulgação “André Akkari, uma das principais personalidades do poker nacional”

O Brasil já é considerado um dos principais países relacionados ao poker. O país é um dos cinco com o maior número de torneios do mundo e o Brazilian Championship of Poker (BSOP), competição criada em 2006, é o maior circuito da América Latina e o segundo maior do planeta.

Entretanto, especialmente levando em conta as dimensões continentais do país, ainda há muito espaço para crescer. 

Especialmente considerando que o primeiro boom do poker ocorreu no ano de 2003 após o, até então, atleta amador Chris Moneymaker se tornar campeão mundial do esporte, é possível especular que após a incrível conquista da WSOP por Felício o número de competidores e entusiastas brasileiros aumentem ainda mais.

Inclusive, a meta é que o número de praticantes dobre nos próximos três anos. Essa é a opinião de figuras importantes no cenário nacional, como o presidente da CBTH Uelton Lima. 

O atleta Ronaldo Fenômeno, que costuma dar as caras em diversos eventos relacionados ao esporte das cartas, também possui um grande carinho pelo poker e acredita firmemente no seu potencial. 

"O poker ainda está crescendo e acho que tem o potencial de se tornar como o futebol" em termos de popularidade” afirmou o Fenômeno durante uma entrevista poucos anos atrás.

Trata-se de uma opinião corroborada pelo já mencionado campeão do WSOP Akkari, que acredita que o esporte tem um futuro ainda mais promissor do que o já alcançado e que o nível dos praticantes no país só tende a melhorar. 

“Acho que nos últimos dois anos tivemos uma melhora acentuada na melhoria do jogo. Não havia muita informação técnica ou material em português, mas à medida que cursos, artigos, revistas, treinamentos e escolas estavam nascendo, o poker começou a melhorar” afirmou Akkari.

“Hoje em dia o nível é melhor, ainda é pior do que outros países poderosos como os Estados Unidos ou a Alemanha, mas está em uma curva crescente de melhoria. Então, acho que nos próximos cinco anos podemos nos tornar uma grande nação de poker” completou.

O turismo relacionado ao esporte ainda não faz parte dos melhores roteiros oferecidos, mas para atender a toda essa demanda no Brasil, existem inúmeros clubes e bares que de alguma forma oferecem o poker ao redor do país. 

Além disso, estima-se que já existam mais de 500 clubes dedicados exclusivamente ao esporte das cartas em todo o território nacional. Um número que certamente deve aumentar cada vez mais nos próximos anos.

Todos os fatores indicam que o poker, que já é gigante, se tornará um dos principais esportes no país do futebol. E que o esporte das cartas trará cada vez mais benefícios sociais e econômicos para todas as regiões do Brasil. 
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